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ENTREVISTA DE MARIA CLARA MACHADO A SIDNEY REZENDE
LEIA A MATÉRIA ABAIXO DOS VÍDEOS
SAUDADES DA CLARA... E hoje bateu uma saudade imensa de Maria Clara Machado, a Clara. Atriz, diretora, dramaturga e fundadora do Tablado - o tradicional curso e grupo teatral que desde 1951 é sinônimo de arte da mais alta qualidade. Autora de uma vasta obra que inclui quase 30 peças dedicadas às crianças e encenadas em diversos países, Clara vive no imaginário dos admiradores da arte através de seus clássicos. 'Pluft, o Fantasminha'; 'O Cavalinho Azul' e 'A Menina e o Vento' eram as três peças favoritas da autora. Confira acima uma entrevista em vídeo que ela concedeu ao grande fera, o jornalista Sidney Rezende, em 1986, quando O Tablado tinha “apenas” 35 anos. No bate-papo Clara fala do amor à arte, à natureza e aos animais que ela sabiamente passava às crianças. Hoje, em 2008, o pequeno e mágico Tablado já está com 57 anos sempre no mesmo cantinho do Jardim Botânico esquina com a Lagoa. Clara foi para o andar de cima em 2001, mas a sua arte continua viva e encantadora. Assista acima a entrevista de Maria Clara Machado a Sidney Rezende em 1986. Já, aqui abaixo, você confere uma matéria que eu fiz com ela em 1999. Tcello Ribeiro / 1999 Confira esta matéria com a saudosa Maria Clara Machado, que nos deixou em 2001. Nos deixou não, pois a obra de Clara está presente em todos os corações dos adultos e crianças que passaram pelo mágico palco do Tablado. 'A menina e o Vento', 'O Cavalinho Azul', 'Pluft', 'Camaleão Alface' e tantos outros personagens que vivem na lembrança de todas as pessoas sensíveis que passaram e que ainda passarão pelo Tablado, sejam como espectadores, alunos, atores ou diretores. Clara deixa a nossa vida mais feliz, ao passar o seu amor ao teatro através de tantas gerações. O Tablado, grupo formado por Maria Clara Machado está em plena atividade Em quase meio século de existência, o pequeno teatro do Jardim Botânico atrai a atenção de crianças e adultos por seus belos espetáculos e concorridos cursos. Possuir o seu próprio espaço é um dos fatores responsáveis pela longevidade do grupo O Tablado está às vésperas de completar cinqüenta anos. Palco de formação de inúmeros artistas entre atores, diretores, cenógrafos e figurinistas, O Tablado mantém viva a chama do teatro amador, bem na essência da expressão que pelos tabladianos é bem conhecida: amador é aquele que ama. Sempre à frente do grupo está Maria Clara Machado, 78 anos, que ao longo desse tempo escreveu uma obra dedicada às crianças, tendo peças traduzidas, premiadas e encenadas em diversos países. Em 1951 durante as reuniões que integravam intelectuais e artistas na casa do seu pai (o escritor Aníbal Machado) em Ipanema, Maria Clara resolveu fundar um grupo teatral amador junto com o amigo Martim Gonçalves, porém, ninguém imaginou que a idéia iria tão longe, nem mesmo ela. "A minha grande vantagem é que eu nunca tenho expectativa, eu deixo correr", esclarece a autora de 'Pluft', o fantasminha que morria de medo de gente. Atriz, diretora e autora Maria Clara ainda tem tempo para dar aulas no Tablado e diz que as pessoas também podem fazer teatro como uma forma de terapia. "O teatro é genial, eu dou aulas para pessoas da terceira idade, aí a terapia entra muito. Às vezes é o médico mesmo quem recomenda. É muito bom, levanto o ego", afirma. O fato de vários artistas citarem O Tablado como um marco inicial em suas carreiras fez com que muita gente procurasse o teatro de Maria Clara como uma porta de entrada para a TV Globo, quando isso ocorre ela logo avisa. "Olha aqui não é porta de entrada para a Globo não, mas você querendo pode ficar". Foram situações como essa que inspiraram a peça 'Tabroadway' dirigida por Luis Carlos Tourinho, ex-aluno e também professor do Tablado. Peça censurada durante o regime militar Na dramaturgia da Maria Clara nunca faltou espaço às críticas sociais. Dos políticos em 'Tribobó City' às trapalhadas do ladrão 'Camaleão Alface' em 'O rapto das Cebolinhas', 'Camaleão e as Batatas Mágicas', 'A Volta do Camaleão Alface' e 'Camaleão na Lua'. Da bondosa bruxinha Ângela em 'A Bruxinha que Era Boa' ao capitão Perna de Pau em 'Pluft, o Fantasminha'. Do menino Vicente que sonha que o seu velho pangaré se torne azul em 'O Cavalinho Azul' às estripulias da menina Maria que deseja "ventar a tia do piano, desarrumar tudo" em 'A Menina e o Vento'. Mas foi em 'Aprendiz de Feiticeiro' que a censura agiu: na peça infantil de 1969 - auge da ditadura no Brasil - havia um personagem chamado Tenente Perseguição que ao tomar uma fórmula que "aflorava o lado mais forte da mente" acabou num caso irreversível de "cabeça de jumento". Maria Clara relembra esse episódio. "Eu me senti orgulhosa, o fato de a censura militar ter me censurado mostrou que eu estava viva e presente". Talvez por isso ela seja categórica. "Eu nunca pedi e nunca pediria nada ao governo. Eu acho que a gente não deve pedir nada a ele, nós devemos é fazer e criticar bastante o governo para ver se ele melhora um pouco". Sobre as declarações do ministro da saúde José Serra, que culpou os meios de comunicação pelo alto índice de gravidez na adolescência no Brasil, Maria Clara diz. "Bom se ele declarou é porque se baseou em alguma verdade. É uma coisa meio triste,não é? Tanta menina mal informada e que engravida sem querer, elas acabam se deixando levar. É um problema de falta de educação". Palco de clássicos Em quase cinco décadas O Tablado também se caracterizou pela montagem de textos clássicos: 'Nossa Cidade' de Thornton Wilder, 'O Tempo e os Conways' de J.B. Priestley, 'Do Mundo Nada se Leva' de Kaufman e Hart, 'O Médico à Força' de Moliére, 'Barrabás' de M. de Guelderode, 'Piquenique no Front' de F. Arrabal, 'Sonho de Uma Noite de Verão' de W. Shakespeare entre outros. A convivência com antigos integrante do grupo é corriqueira, há, inclusive, os que nunca se afastaram como Sílvia Fucs que é uma das administradoras do Tablado e Vânia Velloso Borges, 69 anos. Vânia foi a primeira atriz a interpretar os personagens femininos de Maria Clara; ainda nos anos 1950 ela foi a Maribel em 'Pluft, o Fantasminha' e a bruxinha Ângela em 'A Bruxinha que Era Boa'. "Maria Clara é uma excelente criadora de personagens, e ela dirige mesmo você no palco. Agora faz isso, sinta isso, o que você podia dar ela ia sugando. E eu entrei pela primeira vez em cena com a cara e a coragem para cantar em `Nossa Cidade", recorda Vânia, que hoje auxilia na administração do Tablado. Para Vânia, 'As Interferências' é a melhor peça adulta de Clara. Nos últimos anos Maria Clara vem entregando a direção de suas peças à sobrinha, a atriz e diretora Cacá Mourthé. "Ela é muito boa diretora, muito competente. Eu geralmente assisto ao ensaio geral, a Cacá vai indo muito bem", afirma Clara lembrando que é difícil ficar sem opinar. "Eu dou palpites, não consigo ficar quieta". E é com essa mesma inquietude que O Tablado se aproxima dos seus cinqüenta anos. Cacá Mourthé - Atriz, diretora e professora do Tablado "O Tablado é o lugar onde o ator ou o jovem que está perdido, que não sabe o que fazer pode entrar sem mudar muito a vida, mas mudando inteiramente porque vai aprender tudo. A varrer o palco, a ser bilheteiro, contra-regra, iluminador e até a ser ator. Então eu acho que é um lugar rico não em teorias, mas rico em prática, a prática do teatro. A prática maior que é não querer ser apenas ator ou diretor, mas conhecer toda a estrutura teatral, e O Tablado viabiliza isso". Peças infantis de Maria Clara Machado 1953 - O BOI E O BURRO NO CAMINHO DE BELÉM 1953 - O RAPTO DAS CEBOLINHAS 1954 - A BRUXINHA QUE ERA BOA 1955 - PLUFT, O FANTASMINHA 1956 - O CHAPEUZINHO VERMELHO 1957 - O EMBARQUE DE NOÉ 1959 - O CAVALINHO AZUL 1959 - A VOLTA DO CAMALEÃO ALFACE. 1961 MAROQUINHAS FRU-FRU 1962 - A GATA BORRALHEIRA 1962 - A MENINA E O VENTO 1966 - O DIAMANTE DO GRÃO-MOGOL 1967 - MARIA MINHOCA 1968 - APRENDIZ DE FEITICEIRO 1969 - Camaleão na Lua 1971 - TRIBOBÓ CITY 1974 - O PATINHO FEIO 1974 - OS CIGARRAS E OS FORMIGAS 1976 - CAMALEÃO E AS BATATAS MÁGICAS 1977 - QUEM MATOU O LEÃO? 1979 - JOÃO E MARIA. 1983 - O DRAGÃO VERDE 1986 - O GATO DE BOTAS 1992 - PASSO A PASSO NO PAÇO IMPERIAL - em parceria com Cacá Mourthé 1993 - A CORUJA SOFIA 1996 - A BELA ADORMECIDA 2000 - JONAS E A BALEIA - em parceria com Cacá Mourthé 2003 - A ROUPA NOVA DO REI - Cacá Mourthé termina essa peça que foi montada após Maria Clara partir Peças adultas de Maria Clara Machado 1963 - REFERÊNCIA 345 1964 - MISS BRASIL 1965 - AS INTERFERÊNCIAS 1969 - OS EMBRULHOS 1972 - UM TANGO ARGENTINO
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