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Confira o que rolava na noite! Direto do Túnel do Tempo...



FREEDOM ON BOARD ENTRA PARA A HISTÓRIA REALIZANDO SONHO COLETIVO / DIÁRIO DE BORDO (2009)


Tcello Ribeiro




Nem sei por onde começar, mas sei como começar: o Freedom on Board foi um estouro de sucesso, já estando na história e no inconsciente coletivo de toda a turma GLS do país!







 

O Primeiro Cruzeiro GLS Produzido no Brasil foi um projeto ousado que, graças a uma equipe qualificada e aberta a novas idéias se firmou como um dos melhores agitos brasileiros.








A realização coube a Rádio Energia 97 FM (Sampa) em parceria com a produtora PromoAção e, entre tantos talentos envolvidos, é essencial destacar o trabalho de Edu Cristófaro (dono da PromoAção) e Valtinho Fragoso (assessor de imprensa da Rádio Energia).












O Cruzeiro saiu com todas as cabines ocupadas, ou seja, 1.700 passageiros a bordo, além de 500 tripulantes de diversas nacionalidades; vale lembrar que um Navio lotado não é semelhante a clubes e festas entupidos onde não há espaço nem para andar, pelo contrário, apesar da lotação máxima sobrava espaço no Island Escape que é bastante confortável e sob medida para um evento do gênero.



Mas voltemos ao início: na sexta-feira, dia 06 de fevereiro de 2009, peguei a ponte-aérea às 8h15m da manhã e em cerca de uma hora cheguei ao Aeroporto de Congonhas, Sampa. No mesmo voo estavam alguns DJs e produtores que também iam para o Cruzeiro.










Em Congonhas já dava para perceber a boa organização: diversos membros da produção orientavam as pessoas para se dirigirem aos pontos de onde sairiam o translado rumo ao Porto de Santos.  Em pouco mais de uma hora o Aeroporto já estava repleto da galera que iria para o Freedom, pois, além dos passageiros, também havia a concentração de DJs, produtores, músicos, dançarinos... Enfim, praticamente todo o staff.



Muitos outros também foram de ônibus direto de suas cidades para Santos. De Congonhas a Santos foi pouco mais de uma hora de viagem com vários ônibus fazendo o translado.




Eu fui num onde estavam muitos DJs e produtores, além do assessor de imprensa Valtinho Fragoso com seu astral lá no alto.



No Porto de Santos, após passar pela alfândega, finalmente o embarque: do lado de fora já se ouvia o som que rolava quente sob o comando do DJ Edu Corelli.












O DJ Mauro Borges e Silas Gonçalves recebiam no melhor estilo: como bons e atraentes marinheiros - sem camisa, é claro. Praticamente todos os passageiros fotografaram com a dupla. A galera embarcava, deixava a bagagem de mão na cabine (a maior havia sido despachada e seria entregue em até 5 horas) e ia direto curtir.












Embarquei por volta das 14h da tarde e o Deck 10, onde rolava a pista ao redor da piscina, já estava lotado com todos dançando: era o Welcome on Board com o som contagiante do DJ Edu Corelli.



Vale destacar que o Deck 10 foi o que mais ferveu durante todo o Cruzeiro, pois, além das festas à beira da piscina, também ficavam por lá o Restaurante 24 Horas, a Sala de Musculação (também 24 horas), a Sala de Spinning, o Cyber Café, o Salão de Beleza e a Galeria de Fotos (diante do público alvo dá para entender porque aquele andar vivia cheio, rsrs).











 


Após um giro por todos os Decks do Island Escape (eram 12) fui para a cabine tomar banho. Ainda estávamos ancorados e eu embaixo do chuveiro quando começaram a chamar todos os passageiros pelo microfone para um treinamento obrigatório de emergência. Tínhamos que ir até uma área externa com nossos coletes salva-vidas para participar.





Só que eu já estava embaixo d'água, ou melhor, do chuveiro, e atrasei horrores.




Vi a hora de ser lançado ao mar sem dó nem piedade (e olha que estava preparado para enfrentar os tubarões a bordo, mas os de fora já eram outros quinhentos!).




Após muita zoação da galera o treinamento foi feito com muito bom-humor.







O som rolava praticamente sem parar na piscina (com pequenos intervalos) e na primeira noite aconteceu a label Joystick, do produtor Jânio Savary, que mora na Alemanha e há mais de dez anos produz eventos bem-sucedidos pela Europa.

A Joystick foi um sucesso, apesar de não ter montado decoração. A única festa que levou décor foi a R:evolution e sua produtora Rosane Amaral optou pelas tradicionais águas-vivas e borboletas gigantes que são características de sua outra label (The Original Brazilian Pool Party).




O painel de leds do palco foi utilizado por todas as festas criando um lindo efeito visual.








Aqui vai uma ressalva: foi tudo divino e maravilhoso, mas vamos lembrar que eram mais de dez DJs no line-up geral e quatro labels a bordo, além da Pista Flashback. Um pequeno choque de egos foi inevitável, mas nada que o público pudesse perceber e que também não interferiu no brilho do evento.





Todos os DJs tiveram espaço e reafirmaram talento e feeling para bombar a pista, o que é natural, pois se não fossem feras não teriam sido escalados para um evento daquele porte. Todos estão de parabéns, mas na minha opinião alguns se destacaram.




O DJ Mauro Borges é o melhor, fora de série. Um verdadeiro show em cena: está com o som atualíssimo e é uma presença marcante no palco.




Dança sem parar (de sunguinha branca) e mixa com perfeição. Ele tocou em algumas festas, mas se superou na Joystick. Mauro também é cantor e produtor musical, além de líder da banda Que Fim Levou o Robin?, uma das primeiras a produzir dance music no Brasil no início dos anos 90.









 


Outro que me chamou bastante atenção positivamente foi o DJ Gláucio Duarte (residente da Joystick). Ele é brasileiro, mas mora há cinco anos na Holanda e faz muito sucesso pela Europa onde toca nas melhores labels.





Ele foi descoberto por produtores europeus quando era residente da Le Boy e, todo ano, viajava a convite deles para pilotar as pick-ups lá fora. Agradou tanto que acabou fechando contrato para ficar permanente.







 

Os outros DJs que muito me agradaram foram Rodolfo Bravat e a dupla Altar. Explodiram tudo na R:evolution e em outras festas. De bater cabeça!




Na manhã de sábado rolou o After Ultra Diesel do produtor Marcelo Piccine, o Mama. Apesar do peso dos DJs Júnior Peron, Rodolfo Bravat e Flávio Lima a festa não decolou, pois muita gente ainda dormia ou curtia outros ambientes do Navio. O Island Escape tem uma linda boate no Deck 12 (em formato de disco voador) onde rolou a Pista Flashback nas noites de sábado e domingo.



Talvez fosse melhor transferir o After para uma pista fechada nas próximas edições e deixar a área da piscina sem som na parte da manhã, pois tinha muita gente que não curtia música eletrônica.



Ainda na manhã de sábado o Island Escape chegou a Floripa e passou o dia ancorado.




A grande maioria dos passageiros resolveu passar a tarde nas praias e o translado foi feito através de lanchas e em seguida ônibus.




 

A Ilha da Magia agradou geral!







A noitada de sábado foi da R:evolution. Um pouco antes da festança de Rosane Amaral começar o Navio balançava muito como num prenúncio da ferveção que viria.




Foi uma festa linda com as águas-vivas e borboletas gigantes dando o clima. A label carioca foi sucesso absoluto.




 

Enquanto rolava a R:evolution a Pista Flashback também se mantinha lotada sob o comando do DJ Akeen com ótimos sets e o público gritando de felicidade.






Antes da R:evolution, por volta das 22h, o público encheu o Teatro do Navio para assistir ao musical Balança Brasil, um bem-produzido passeio pelo cultura brasileira. O elenco de atores, cantores, músicos e dançarinos do Island Escape é muito bom e todos os espetáculos a bordo são de alta qualidade.




 

No domingo à tarde começou a White Party, de Rogério Figueiredo, com quase todos os passageiros usando branco.




Por incrível que pareça a festa bombou mais durante o dia, já que à noite (a última) muita gente decidiu curtir as outras atrações a bordo, tais como o Cassino (que só tem permissão para funcionar quando o Navio está navegando), o Piano Bar (com um excelente show de MPB), o musical Show da Broadway no Teatro e diversas opções musicais com talentosos grupos contratados pelo Navio (que rolaram seguidamente a partir das 21h - o Qual é a Música?, o cantor Raphael, a Banda Larga e a Banda J.).









Também na noite de domingo a galera aproveitou para fazer compras no Free Shop do Island Escape, além de apreciar o Game Show de Jhones e Lola e também se divertir com o sempre competente artista Lambari.






O Freedom on Board reuniu gente de todo o Brasil entre gays, lésbicas e simpatizantes. A turma gay também era bem diversificada com os barbies, ursos e a galera mais velha.








 

Entre os simpatizantes vale citar dois casais ícones: Sandra Azevedo (a Sandrinha) e Eraldo Cruz do Rio, enquanto a cantora Amannda e seu marido o DJ Júnior Peron representavam os simpatizantes paulistanos.




Amannda fez diversos pocket-shows em algumas festas do Navio e levantou o povo.




A última vez que assisti a shows dela foi há cerca de dois anos e, se na época gostei muito, hoje posso dizer que adorei, já que a moça melhorou 100 %.









A hypada Sandra Azevedo conquistou a todos e com o marido Eraldo Cruz representou o melhor do espírito carioca com muita simpatia e animação; ela chegou a dançar no palco arrancando aplausos da turma.






 

Aliás, os cariocas não eram maioria a bordo, mas na pista agitaram por igual e muitas vezes tinha-se a impressão de estar numa label no Rio - a cariocada sensual se concentrava no lado esquerdo do palco.








O percussionista Marquinhos (que se apresentou em diversas festas) foi um plus poderoso no palco numa parceria inédita com os DJs.





Acompanhava as batidas tribais com maestria e num ritmo perfeito. Um grande destaque!









 

Também se destacaram os dançarinos Léo Oliveira, Kall Ramos, Aline Coutt e Dany Romani que mandaram muito bem. Eles dançam com uma vibração perfeita e coreografias originais, além de fugirem do estereótipo dos gogos da maioria dos clubes e festas que olham para o público com aquele ar de: "Me dá um dinheiro aí".




O quarteto tem uma sensualidade natural e contagiante. Eles são dançarinos de eventos badaladíssimos e conseguiram provar que as pistas de música eletrônica podem ter talentos além do gueto.







O Restaurante 24 horas (tudo incluído com exceção de bebidas alcoólicas e refrigerantes) vivia cheio ininterruptamente. Havia ainda outros restaurantes e diversos bares.




A turma que estava a fim de cuidar do corpo teve muitas oportunidades: Musculação 24 horas, Alongamento, Body Balance (Yoga + Pilates + Taichi), Spinning, Abdominais e Body Pump.






Se alguém achou que o Cruzeiro Freedom on Board iria se tornar uma orgia em alto mar se enganou redondamente. Houve, claro, muitas paqueras e namoros, mas tudo natural e não se via sacanagem nas áreas públicas do Navio.




 

Era um público de alto nível, aliás, muito elogiado pela tripulação que foi unânime ao declarar que os passageiros eram educadíssimos - a tripulação também é nota 10 e soube tratar a todos com muita sensibilidade e educação como provou Eduardo Freitas.








 

Uma cena muito bonita era observar os casais de gays e lésbicas que foram juntinhos no melhor clima de lua-de-mel. Inspirador...






O termo ‘jogação responsável' foi seguido à risca: o povo curtiu muito, mas não vi ninguém passando mal.  Foi a prova de que boa vibe e música de qualidade dispensam quaisquer substâncias químicas e ilícitas.







Retornamos ao Porto de Santos na segunda-feira, dia 11 de fevereiro de 2009, por volta das 9h da manhã. O desembarque foi tranquilo e tive a honra de ter dois companheiros de responsa no retorno: no translado até ao Aeroporto de Congonhas o DJ Mauro Borges foi conversando comigo durante todo o tempo, já o DJ Gláucio Duarte foi uma excelente companhia enquanto esperávamos pelo voo. É muito bom perceber que somos queridos e bons parceiros de viagem, principalmente por duas pessoas tão talentosas e do bem.



A simpática e competente equipe da PromoAção estava sempre à disposição dos passageiros e da imprensa e, entre tantos profissionais, é impossível não lembrar de Denise Machado, Bruna Panariello, Luara Russomano, Lígia Moraes e Roberta Vieira.




Parabéns e obrigado às meninas pela atenção e carinho!










 


O sucesso foi tanto que Edu Cristófaro estava esfuziante e anunciando que no ano que vem o evento se repete num Navio com o dobro de capacidade para os passageiros, o Vision of The Seas; prova disso é que a cantora Amannda e o DJ Mauro Borges sortearam no palco o nome do passageiro ganhador da cabine para 2010.










Valtinho Fragoso me disse que "a produção está investindo em melhorias para o ano que vem e que todas as tribos serão beneficiadas, pois irão oferecer diversão para todos os gostos nos diversos ambientes do Navio".



Se este primeiro já foi maravilhoso, imagina o do ano que vem? Em se tratando da apurada produção da Rádio Energia 97 FM e da PromoAção é bom esperar uma segunda edição ainda mais bombástica!



Organizar uma festa já é um trabalho dificílimo o que pensar então de lançar ao mar um projeto tão grandioso como o Freedom on Board? Não é tarefa para peixe pequeno, mas para peixes grandes em talento, competência, criatividade e respeito ao público.



Peço licença pela intromissão, mas a realização do Freedom on Board não foi apenas a materialização de um sonho da Rádio Energia 97 FM e da PromoAção.



 

Foi sim a materialização de um sonho coletivo de toda uma imensa tribo livre de preconceitos, onde a celebração ao amor, à amizade e à diversidade transbordaram em ebulição de liberdade em alto mar.



Parabéns a Edu Cristófaro, Valtinho Fragoso, a todo o staff e principalmente ao público que sintonizou nessa vibe inesquecível e histórica que foi o Freedom on Board. E que venham os próximos reafirmando que todo sonho positivo pode se tornar real!




Clique aqui na SEÇÃO FOTOS e confira o álbum completo do histórico Freedom on Board, o Primeiro Cruzeiro GLS Produzido no Brasil.







B.I.T.C.H.* - 15 ANOS EM 2008



Tcello Ribeiro



 
Lindo, lindo, lindo!!! É o teaser dos 15 anos da B.I.T.C.H.*, a maior festa GLS do Brasil. Os flyers caindo... Os anos passando... Poético!



Emocionante para todos que têm alguma história forte com a festa (e quem não tem?). Emocionante para quem, como eu, esteve presente na primeirona em 1993. Eu e um bando de garotos cheios de idéias para colorir a noite carioca e que, nem nos delírios mais insanos, poderiam imaginar que tudo frutificaria de uma forma tão bonita e diversa como está hoje.





É uma viagem no tempo onde eu, que acompanhei a gestação da B.I.T.C.H.*, embarco lembrando do que Téo Alcântara dizia sobre a festa que iria lançar.







E as histórias paralelas? Infinitas...




Descendo a ladeira de Santa Teresa (onde rolava a festa) ao volante para comprar gelo e bebida com um segurança ao lado para carregar tudo às 2h da manhã; ou eu, Téo, seus pais e um jornalista do jornal O Globo de madrugada numa delegacia devido a divergências de Téo com o dono de um clube que não queria divulgação de festas ao lado de seu estabelecimento; ou ainda preso com um namorado num dos cômodos de uma mansão na Estrada do Joá (em outra edição da B.I.T.C.H.*), isso porque a porta travou, o dia amanheceu e a gente berrava e ninguém ouvia, quase nos esqueceram por lá...












 

E para provar que loucuras não são privilégios do passado: mais recentemente, em 2008, no backstage da Fundição Progresso, com Offer Nissim no palco, e eu namorando com outra pessoa conhecida da cena bem ali atrás. E para sairmos sem ser vistos? Principalmente juntos...





 

E Téo vestido de Batman? E Téo vestido de hippie? E Téo e toda a sua equipe à Luiz XV no Morro da Urca? E Ivone Lane a assistente de produção dos primeiros anos da B.I.T.C.H.* e que hoje está linda, casada e com duas filhas morando em Israel? E os que não estão mais aqui...



 









 

Os 15 anos da B.I.T.C.H.* estão intimamente ligados a toda a cena que se vê hoje, aos DJs, aos produtores, a todos que de alguma forma trabalham com entretenimento, aos sites e a esta revista eletrônica, pois o TCELLO é o resultado desse liquidificador de emoções e produções acumuladas ao longo desse tempo.







 





São histórias sem fim... E em breve conto tudo; ou quase tudo como diria a sábia Danuza Leão.




E os anos passam... E os flyers continuam a cair, a voar...




Parabéns Téo pelos 15 anos. Um beijão!




Parabéns ainda ao web-designer Victor Aragão que soube traduzir as idéias de Téo com perfeição!







 

Obs: Alguns amigos que viram o teaser tiveram a mesma sensação que eu: ao aparecerem alguns anos marcantes de suas vidas quiseram meio que parar, para visualizar melhor os flyers ou simplesmente curtir as lembranças daqueles anos. Mas o teaser é tão perfeito quanto a realidade e os anos por lá também passam rapidinho...



Clique aqui na SEÇÃO FOTOS e confira o álbum completo da B.I.T.C.H.* - 15 Anos.








2007: O Ano em que a Le Boy fez 15 Anos

Tcello Ribeiro













Quando o empresário Gilles Lascar abriu a Le Boy, em 1992, o Rio passava por um hiato em termos de grandes clubes gays. A Papagaio, que ficava na Lagoa Rodrigo de Freitas, havia fechado as portas em 1989 e tinha sido até então o maior e mais antenado point GLS (todas as label parties que rolam hoje têm a essência das noitadas de lá).





Pois, sem a Papagaio, o Rio tinha alguns clubes transados, mas nenhum de grande porte. Entre os anos de 1991 e 1992 o produtor carioca Romy Weiss (que naquela época morava em Nova York) passou a produzir festas na Zoom (clube hétero que ficava em São Conrado com uma bela arquitetura e bastante grande).






As festas de Romy (Mr. Fruit Salad, Time Locomotion, Splash Party, Dream Party, entre outras) rolavam aos sábados e apenas durante o verão concentrando todos os barbies cariocas. As produções de Romy foram as precursoras na onda das festas, mas, entretanto, ainda aconteciam em casas noturnas.



As pick-ups das noitadas de Romy Weiss eram comandadas pelos DJs residentes Boris Rio e Michel Nahum (dois grandes profissionais que faziam o sucesso nos eventos onde tocavam e fazem parte da construção da cena eletrônica gay brasileira), já o light-jóquey responsável pela festança era este que vos escreve, Tcello Ribeiro, outra visão dos DJs Boris e Michel, que tinham a consciência de que som e luz devem caminhar juntos e que o profissional de iluminação não é apenas alguém que "põe as luzes para piscar".

 



Assim a profissão tinha destaque e o pioneirismo de vir com nome impresso em flyers, remuneração justa, além de dividir a cabine em igualdade com os DJs. Hoje em dia, infelizmente, houve um retrocesso, já que poucos profissionais da luz sabem o que fazer quando rola uma virada de bateria, um refrão, um batidão, um paradão e outras nuances da música eletrônica.






Ainda há muitos clubes e festas que não dão crédito a DJs e VJs (existem algumas exceções como a festa E.NJOY, produzida por André Garça e Tarcísio Generoso que valoriza o trabalho do VJ e a própria Le Boy que credita o Light Heller e o coloca ao lado dos DJs na cabine).
 





Mas, na maioria dos clubes e festas, ainda vemos o Light-jóquey e o VJ posicionados longe do DJ, sem destaque, fato que desvaloriza o profissional, além de prejudicar o andamento da pista, pois o DJ precisa estar ao lado deles para que possam falar sobre as viradas ou paradas da música. Enfim, é um trabalho de parceiros.







É... A noite dá dois passos à frente e um pra trás! Em 1993 surgiram então as label parties (na época chamadas de raves) que tinham o diferencial de não acontecerem em clubes e sim em locais inusitados.




Cinco se firmaram fazendo edições mensais a cada sábado: JLC (Julinho, Laurentino Jr., Cacau e Rosane Amaral), VAL-DEMENTE (Valéria Braga e Fábio Monteiro), B.I.T.C.H.* (Téo Alcântara), BALAKO (eu, Tcello Ribeiro) e MONA (Felipe Augusto e Babi de Monserrat).




Toda esta história serve para contextualizar a importância da Le Boy na noite carioca. Ela funcionou nos primeiros anos onde hoje é a Bunker (e onde antes funcionava o clube hétero Columbus).





Gilles Lascar
desde o início deu atenção até então inédita ao público gay carioca, como, por exemplo, a preocupação com a segurança dos seus clientes (nos flyers vinham avisos para o público denunciar a possível presença de alguém que o houvesse assaltado e que estivesse nas dependências do clube). Gilles também sempre prezou por pequenos detalhes como manter os banheiros limpos, interrompendo a circulação neles no meio da noite para que a equipe possa deixá-los em total higiene; parece pouco, mas não é. Mostra que o respeito ao público vem em primeiro lugar.








Alguns anos rolaram e a Le Boy passou a ocupar o antigo cinema ao lado e se transformou no grande clube gay que é referência até no exterior.




Hoje o Complexo Le Boy conta também com os bem-equipados e intimistas Boy Bar e La Girl. Grandes profissionais já passaram pela cabine da Le Boy (que teve como primeiros residentes os DJs Marcelo Rezende e Boris Rio).







Atualmente os DJs Ricardo Rodrigues e Gustavo Jr. se firmaram como residentes do grande clube e são dois clássicos da noite carioca que trabalham em conjunto com o Light Heller. A La Girl também conta com o talento crescente do DJ residente Vine, enquanto o Boy Bar inova com o trabalho ímpar do VJ residente Greg.




Ponto para Gilles Lascar que soube escolher uma equipe qualificada que inclui a galera do bar, garçons, seguranças, drags, gogo-boys, caixas, doors e os gerentes Flávio Bulach (La Girl) e Gustavo Azaranys (Boy Bar), além do diretor artístico da Le Boy, Mário Rochá. Incontáveis DJs, produtores e artistas estrangeiros e brasileiros se apresentaram e curtiram a pista da Le Boy. Gilles é figura onipresente no clube que desde 1992 se mantém firme, valorizando o público e sua equipe.







Como você pode perceber internauta antenado, a noite do Rio está sempre em mutação, em ebulição, mas o Complexo Le Boy acompanha e vai à frente, sempre em sintonia com a modernidade, mas sem cair na armadilha de ondas passageiras.




Gilles Lascar
e sua equipe sabem captar o que o seu público quer e merece, porém com o dom de qualificar as escolhas para que não haja decepções e arrependimentos futuros.




Afinal, o grande mérito destes 15 anos da Le Boy é ter proporcionado muita alegria, respeito e uma vibe única para o seu público. Os Deuses da Noite saúdam a Le Boy!







Clique aqui na SEÇÃO FOTOS e confira o álbum completo dos 15 Anos da Le Boy.







As Festas em Locais Inusitados

Tcello Ribeiro

No início dos anos 90, as festas B.I.T.C.H.*, BALAKO, VAL-DEMENTEMONA e J.L.C. transformaram o conceito da noite do Rio.




Os produtores destas cinco festas realizavam os seus agitos em locais inusitados.



A onda era fazer as festas em casarões, mansões e galpões. Era uma grande novidade para o público que sabia que todo sábado era dia de uma - e cada festa fazia uma edição mensal.



É verdade que de vez em quando havia duas no mesmo sábado, mas nada que gerasse tanto estresse. A J.L.C., por exemplo, acontecia em mansões em Santa Teresa, onde o povo subia e se perdia pela montanha nos fundos da casa. A B.I.T.C.H.*, antes de fincar bandeira no extinto Tivoli Parque, na Lagoa, fazia edições em mansões também  em Santa Teresa, São Conrado e Estrada do Joá, além das memoráveis no Canecão e Morro da Urca.




 

A BALAKO rolava em oficinas  mecânicas,  academias  de  ginástica, sobrados e mansões - como a da Avenida Rui Barbosa, no Flamengo - onde os quatro andares do casarão de mais de cem quartos eram ocupados por telões, decorações temáticas e muita iluminação indireta. 



Já a VAL-DEMENTE seguia o estilo de locais detonados, mas totalmente transados com super decorações e iluminações sensacionais - inesquecíveis as edições da VAL-DEMENTE no imenso sobrado da Rua São Clemente, em Botafogo.




A MONA deixou sua marca nas edições que rolavam numa mansão da Estrada do Joá, onde os jardins eram um caso à parte. Também rolou uma edição da MONA na Avenida Rio Branco, no Centro, que foi muito legal. Provavelmente devo ter esquecido outras locações destas grandes festas - afinal os neurônios queimaram muito naquelas pistas (!).



Mas dá para lembrar que a J.L.C. era produzida pelo Julinho, Laurentino Jr., Rosane Amaral e a maravilhosa Cacau. Já a MONA tinha a produção de  Fábio Augusto e Babi de Monserrat.





A BALAKO, era assinada pelo Tcello Ribeiro, este que vos escreve. A VAL-DEMENTE pela dupla Fábio Monteiro e Valéria Braga. A B.I.T.C.H.* pelo querido Téo Alcântara (ele merece o querido, porque realmente é muito querido, e além de grande amigo, me deu todas as dicas para as minhas primeiras festas).



Naquela época, os próprios produtores filipetavam os seus eventos - com a ajuda de amigos - e era uma honra para o público receber o flyer do próprio dono da festa. No dia do agito os produtores estavam na porta recebendo pessoalmente o povo e na maioria das festas os seus pais e mães participavam ativamente do evento.



Os DJs também eram uma grande atração: não dá para citar os nomes, porque posso esquecer alguém. Prometo que farei em breve um outro Túnel do Tempo falando deles, mas Boris, Michel Nahum,  Ana Paula, Felipe Venâncio, Renato Baractho, L.C. Ambient, Marcelo Resende, Marcelo Talandré, Ricardo N.S., F.C. Nond,Cláudio BrazNino Carlo, Memê, Marcos Landgraff, Gabriel Dub, Mário Italiano, entre outros, já incendiavam as pick-up's.










Kiko e a terceira VAL-DEMENTE

Tcello Ribeiro






 

Existem situações marcantes que rolam na vida das pessoas. Às vezes boas, às vezes más, mas que são marcantes são! Kiko como todas as criaturas do universo passou por algumas. Uma delas aconteceu em 1993. O nosso amigo de mente complexa que sempre alternou fases light com fases hard estava mais light que comercial de margarina na TV - aqueles em que sempre há um casal feliz, bonito, magro e de branco passeando pela praia ou tomando café da manhã com aquela cara nem um pouco amarrotada que a maioria dos mortais têm ao acordar!




Pois bem, naquele ano coisas esquisitas começaram a acontecer, e que intrigaram a mente tão atordoada de pensamentos complexos de nosso amigo Kiko. Em todo lugar que ele ia, sempre tinha alguém que lhe perguntava: "E aí, já foi na VAL-DEMENTE?". Ora, ora, isso acontecia na academia de ginástica, no shopping, na faculdade, na night, na praia e até em cinemas e teatros. Como Kiko estava na sua fase light, não estava caindo muito na noite. Mas aquela pergunta desencadeou um tormento nos neurônios do nosso complicado amigo.

Um belo dia Kiko passeava pelo Shopping Rio Sul e resolveu comprar umas camisas na loja Yes, Brazil. Ele pensava: "Nada como umas camisetas bem animadas para me deixar com um ar menos preocupado", já que a pergunta que não queria calar o perseguia como aqueles gritos de "Olha o Mate!" fazem sempre quando estamos relaxados e quase totalmente zen nos bronzeando na praia.



Ao entrar na loja Kiko deu de cara com uma moça simpática, produzida e sorridente; era a gerente Valéria que ele já conhecia da Yes do Shopping da Gávea. Comprou as camisetas que queria, conversou com a Valéria e quando ele já estava indo embora pensando que a sombra da pergunta havia se dissipado sob a influência das camisetas coloridas, eis que Valéria dispara: "E aí, já foi na VAL-DEMENTE?". Então ele não resistiu e resolveu confidenciar a ela que estava se sentindo um ET, um ser de outro planeta, já que parecia ser a única pessoa deste universo que não tinha ido a tal lugar.





Então Valéria explicou que a VAL-DEMENTE era uma festa que ela estava produzindo com o amigo e sócio Fábio. Deu o endereço e avisou que no próximo sábado ia rolar. Era quinta-feira e Kiko pensou em ir. Na sexta-feira às oito da manhã ele estava com o maior sono assistindo à aula de Sociologia na Faculdade. Os olhos abriam e fechavam, tudo que ele queria era um bom café para acordar ou então um bom motivo para se manter alerta, como por exemplo, alguém que ele sempre paquerou ou um par de palitos para segurar as pálpebras!!!





Como não havia nenhuma das opções o sono se instalava sem pedir licença. A voz da professora ficava cada vez mais longe e a mestra explicava  como os efeitos de novos movimentos que nascem de iniciativas alternativas podem se manifestar e virar referência mais tarde na sociedade. E para a surpresa de Kiko, ela citou a VAL-DEMENTE como um desses novos movimentos. Kiko despertou como se tivessem jogado um balde de água gelada na sua cara. A professora socióloga dizia para prestarmos atenção que aquela festa VAL-DEMENTE iria mudar os paradigmas da noite no Brasil, já que tudo, desde a localização, passando pelo público, decoração e som eram novidades que iriam desbancar o até então estilo gueto que separava algumas tribos.






Enfim o sábado chegou e Kiko foi com uma amiga à festa. O local? Um sobrado na Rua São Clemente em Botafogo, no Rio de Janeiro. Pela fachada parecia um lugar pequeno e velho. Kiko estacionou o carro próximo à Estação do Metrô e seguiu em direção ao sobrado. Ao entrar ele teve o primeiro impacto: um corredor estreito com o teto em desnível e uma fila. A curiosidade já dominava o cérebro de Kiko e sua amiga.




Após alguns minutos a fila andou e ao final estava ela, a Valéria, agora incorporada como a Val. Cabelos em penteado bolo de noiva, maquiadíssima, produzidérrima ela recebia as pessoas num caixa cercado de candelabros em estilo gótico. Kiko a cumprimentou e entrou. Aí sim veio a grande surpresa: era um galpão imenso todo decorado impecavelmente, as paredes forradas com tecidos e muitas esculturas, asas gigantescas, candelabros e luz indireta completavam a ambientação.




Um meio-mezanino com buracos iluminados e uma gente interessante demais e demais! O som bombava, mas ele olhava para o alto e não localizava a cabine de som. Se aventurou então pela pista de dança e lá no final estava a cabine. Não no alto ou escondida como eram todas na época. A cabine estava no chão, no mesmo nível do público que podia saudar o DJ Felipe Venâncio que arrebentava no som.






O povo era também um caso à parte. Todos celebravam com uma felicidade e prazer até então inéditos aos olhos de Kiko. Homens, mulheres, barbies, o povo antenado dos clubes Dr. Smith e Kitschnet (que já havia fechado as portas), muitos artistas e muita azaração. Uma equipe do jornal O Globo também estava presente e havia montado um pequeno estúdio fotográfico numa sala anexa onde convidava algumas pessoas para dar declarações e fotografá-las. Foi matéria de página inteira do segundo caderno.







O Fábio Monteiro era o produtor da festa em parceria com a Val. Kiko já o conhecia da night e também curtia muito a grife de roupas modernas que ele tinha, a Demente Criatura.




Às vezes os momentos históricos se restringem ao primeiro acontecimento. Kiko pensou: "Puxa essa já é a terceira edição da festa, e eu perdi as duas primeiras...". Mas naquele caso o tempo provou que não, já que a VAL-DEMENTE virou um ícone de diversão e modernidade e, posteriormente, quando Fábio e Val romperam a sociedade o público foi agraciado com mais festas: a VAL de Valéria e a X-DEMENTE de Fábio, que também lançou a X-PARTY. 




Infelizmente a VAL não rola mais no Rio e a X-PARTY não foi adiante, mas felizmente a cidade maravilhosa ainda conta com as festas de Fábio. A X-DEMENTE virou referência nacional e é saudada até no exterior. Inspirou também diversos produtores que com talento ajudam a movimentar as noites brasileiras.





Kiko
que pensou ter perdido um momento histórico por não ter ido às duas primeiras edições da VAL-DEMENTE logo sacou que não, que havia assistido sim a um momento histórico e que até hoje cada edição da X-DEMENTE de Fábio Monteiro é um acontecimento para se guardar na memória sim!!!








Encanação

Tcello Ribeiro






De meados dos anos 80 até início dos 90 existiu um lugar em Copacabana chamado Crepúsculo de Cubatão. A onda dark imperava no comportamento das pessoas e o Crepúsculo era o point! Todos de preto, barração na porta de quem não estivesse devidamente desesperançado, essas coisas... Mas era muito divertido.
 

O clube era na Rua Barata Ribeiro 543 e a pista de dança no subsolo ocupava parte da garagem do prédio. Como o pé direito da pista era baixo, todo o encanamento passava bem perto da cabeça das pessoas e era pintado de acordo com a decoração da boate. Numa bela e agitada noite, eis que uma pessoa que dançava muito bem-colocada resolveu se pendurar nos canos. O cano se rompeu e inundou o dance-floor. Vale lembrar que o que passava por aquele encanamento todo não era água mineral!
 


A partir daquela noite os seguranças da casa tiveram a difícil missão de vigiar os canos e impedir que a turma mais colocada voltasse a se pendurar neles. Não foi tão mal, pois a encanação que o pessoal do Crepúsculo curtia mesmo era dançar com as paredes. Posteriormente o Crepúsculo fechou e surgiu ali o clube Kitschnet com uma decoração colorida que incluía sofás vermelhos, mesas de pé-palito e uma cama de casal na pista de dança. Bem alegre e totalmente anos 50/60.













A ambientação era assinada pelo designer Cláudio Bráz que também era DJ da casa. Falar em DJ, não dá nem para citar todos os que tocaram no Crepúsculo e Kitschnet, pois posso esquecer de algum, mas era um time quente e muitos estão agitando as noites até hoje. Mas é impossível não lembrar das performances do DJ Zé Pedro que tocava com figurinos altamente excêntricos. O que mais chamava atenção, porém, não era muito trabalhado: um saco que cobria todo o corpo do DJ e a visão que as pessoas tinham ao olhar para cabine de som era a de um saco dançante!!

 

Entre os sócios dos dois clubes estava Ronald Biggs que ficou famoso por integrar a quadrilha que realizou o que foi considerado o maior assalto do século XX, o do trem pagador entre a Escócia e Londres em 1963.



Biggs
realizou o assalto no dia que completava 33 anos, ficou dois anos preso e conseguiu fugir para o Brasil onde se casou e teve um filho. Aliás, Mike o filho brasileiro dele, foi uma estrela na infância quando integrou o grupo infantil Trem da Alegria ao lado dos cantores Jairzinho e Simony. O outro sócio era Tristan Person sempre presente nos clubes, mas só fisicamente, pois ele bebia tanto que muitas vezes a sua mente se afogava em algum copo colorido.



O espaço onde funcionou esses lendários clubes é excelente e bem que algum empresário poderia abrir um novo clubinho por lá. Como sei disso? Historinhas que papai e mamãe contavam para eu dormir, já que naquela época eu ainda estava no berço, mas sempre engatinhava até o Kitschnet para iluminar a pista!













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