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DJ Ranny
DJ e Remixer
Agosto / 2006


DJ e remixer brasileiro que conquistou Nova York e Boston com seu som vem ao Brasil em turnê que vai passar por clubes do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Brasília e Goiânia

DJ Ranny fez os remixes oficiais de Pussycat Dolls (Buttons), Lauren Hildebranot (Burning´out ) e Kasino (Can´t Get Over / Stay Tonight), além de clássicos de Madonna, Depeche Mode, Kelis, Shakira, Janet Jackson e outros grandes nomes da música internacional



 
 

 
  Tcello Ribeiro


Tcello - Após oito anos morando fora do Brasil, você sente muitas mudanças no cenário da música eletrônica brasileira?


Ranny - O Brasil é bem antenado em relação à música eletrônica. Os DJs estão sempre procurando novidades, e na maioria das vezes tocam os hits antes mesmo deles virarem sucesso no mundo todo. Posso dizer que no Brasil as músicas têm um tempo de vida maior que aqui nos Estados Unidos, por exemplo, onde um DJ toca uma música quatro ou cinco vezes no máximo.


Tcello - Por que você acha que isso acontece?


Ranny - Nos Estados Unidos tudo vêm em abundância, e no caso da música eletrônica não é diferente; toda semana dezenas de músicas novas são lançadas, mas só algumas são boas o suficiente para durar mais nas pistas. Os DJs recebem muita coisa e não têm tempo de dar atenção a tudo que lhes é apresentado. Existe muita coisa boa por aí que nunca tocou justamente devido a esse fato.



Tcello - Como você definiria o seu estilo?


Ranny - Eu gosto de músicas com batidas fortes e dançantes. Tambores são bem-vindos, claro, mas algo bem ritmado e com vocais legais vai longe. Diria que o meu set é bem up, alegre, com muita energia. Para as pessoas dançarem do começo ao fim.


Tcello - Vocais femininos na sua opinião são mais pra cima?

 


Ranny -
São sim, mas alguns vocais masculinos também dão o diferencial. Um exemplo é a musica nova do Luther Vandross, "Shine". Maravilhosa!


Tcello - Realmente. Qual a sensação que você sente no meio da noite, com a pista lotada, ao ver todos se acabando de dançar?


Ranny - Cara, pra mim não tem nada melhor. Se o povo está se divertindo você sente na hora. A energia é ótima.


Tcello - É quase um êxtase? Uma catarse?


Ranny - Isso (risos). Todo DJ quer isso, sem dúvida. Além do mais, a energia do público é o que te empolga para fazer um set cada vez melhor. Você pode tentar ao máximo, mas se o público não colabora, você com certeza sente e acaba afetando o seu set.
 

Tcello - Quando você está tocando consegue olhar para alguém específico na pista ou olha e só enxerga a geral, todos juntos?


Ranny - Sempre olho na geral, mas é claro que você também nota certas pessoas individualmente, ou até mesmo um pequeno grupo de amigos.


Tcello - É uma troca de energia muito forte, não é?


Ranny - Adoro observar a reação das pessoas com uma certa música. É realmente uma troca de energia muito forte. Eu também adoro o contato com as pessoas e certamente não sou daqueles que não suporta quando o público interage ou quando alguém vem querer dizer um oi. Acho muito legal interagir com o público, afinal, se não houvesse ninguém na pista você iria tocar pra quem? (risos).


Tcello - Legal. E qual é a tática que usa quando sente que o público está predisposto a ouvir músicas conhecidas e você quer jogar umas novas?


Ranny - É sempre bom alternar as novidades com músicas já conhecidas pelo público. Existem aqueles que vão à balada para ouvir músicas novas, mas a maioria não gosta de ouvir só coisas que não são conhecidas. Também é sempre bom jogar um clássico no meio... Aquela música que te lembra algum momento bom que você já teve na balada.


Tcello - De modo geral você acha que há diferença entre o público gay, hétero ou mulheres na pista? Se há quais são? Entre esses existe algum que você prefira tocar?


Ranny - Acho que a maioria dos DJs prefere tocar para o público gay, porque geralmente é o mais antenado em relação à música eletrônica. No entanto, ultimamente tenho notado várias mulheres, homens e casais héteros indo a baladas GLS para curtir a boa música, o que eu acho ótimo! Em relação à musica, que venham todos, desde que com a mente aberta!


Tcello - Qual a importância do light-jockey no trabalho do DJ? É um trabalho em conjunto? Acha importante ter um light-jockey que saque de viradas de bateria, refrão, e outros climas da música? Ou não?


Ranny - Claro! A luz é extremamente importante, e complementa muito bem a música. Não adianta você tocar umas músicas com quedas e momentos up sem a iluminação própria.


Tcello - Aquela regra de virada de bateria com strobol, refrão iluminado, vocal em seqüencial e climas soturnos mais escuros?


Ranny - Sempre!


Tcello - Você sente que com a alta tecnologia em iluminação como laser e afins, o trabalho do light-jockey ficou meio de lado? Como se o fato de ter uma iluminação de ponta dispensasse o feeling do profissional da luz?


Ranny - O profissional da luz sempre é importante, pois a máquina não consegue sentir a vibe do povo na pista...


Tcello - Quando você saiu do Brasil, há oito anos, quais eram os DJs brasileiros que curtia?


Ranny - Quando eu saí há 8 anos não conhecia muito os DJs brasileiros por nome, mas já tinham os que ainda são bem conhecidos, como o Memê.


Tcello - E os que estão tocando atualmente por aí?


Ranny - Aqui existem muitos DJs em evidência atualmente. Peter Rauhofer, Manny Lehman, Tracy Young, Mike Cruz, Escape...

 
Tcello -
E os brasileiros? Tem alguma referência dos DJs brasileiros que estão tocando por aqui?


Ranny - Eu ando conversando com alguns online, e espero ter o prazer de conhecê-los pessoalmente na minha ida ao Brasil. O Robix, Tato, Douglas Penido, Paulo Ciotti, a Ana Paula, entre muitos outros. 


Tcello -  O que te motivou a ir morar na Califórnia e em seguida em Boston onde está até hoje?


Ranny - Na época eu fui a trabalho. Eu dava aulas de inglês para estrangeiros.


Tcello - Você começou na carreira de DJ no ano 2000. Como foi o início? Onde já tocou?


Ranny - O início foi difícil.
 

Tcello
- Por quê?


Ranny - Eu era muito inseguro, apesar de ter bons comentários sobre os meus sets. Também me espelhava nos melhores, como Peter Rauhofer, Victor Calderone, Junior Vasquez. Quando comecei a sair aqui, eram eles que eu ia ver tocar.


Tcello - Certo. E quando passou a remixar?


Ranny - Em 2002 / 2003, mas só de brincadeira. Após ver que os DJs estavam tocando os remixes que eu fazia, comecei a levar a coisa a sério.


Tcello - Quais artistas que você remixou?


Ranny - Já perdi a conta. Quando gosto de uma música, procuro fazer um remix que a minha pista irá curtir. Desde que comecei a fazer remixes, já remixei muita música pop.

 
Tcello
- Quais são as suas expectativas em relação à sua passagem pelas pistas brasileiras?


Ranny - Muito altas. Em março toquei em Goiânia (onde retorno dia 18), e com certeza foi uma das melhores experiências que já tive. A energia foi ótima e por mim o set não acabaria nunca. O povo reagiu super bem.

 
Tcello -
Que bom. Pra terminar tem algum recado que você gostaria de deixar para os brasileiros que estão ansiosos para curtir seu som?


Ranny - Espero que o povo compareça e que venha com vontade de dançar, pois eu não vou dar trela. Adoro os brasileiros por serem bem antenados e abertos à nova musica!

 
Tcello
- Valeu Ranny. Obrigado pela entrevista.

Turnê do DJ e remixer Ranny no Brasil:

18.08.06 - Goiânia - Jump Club - Party People

19.08.06 - Brasília - clube Garagem - Party Manhunt

23.08.06 - São Paulo - clube Ultralounge -  Diva´s Night

24.08.06 - São Paulo - clube SoGo - Special Party

26.08.06 - Rio de Janeiro - Cine Ideal

26.08.06 - Minas Gerais - Miss Brasil Gay AfterParty










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