Tcello - Agora que acabaram as gravações da novela "Senhora do Destino", de Agnaldo Silva, quais são os seus projetos profissionais?
Yoná - Acabando a novela sempre fico um tempo, não sei se é de férias não, mas fico um pouco fora do vídeo e, enfim aguardando uma nova comunicação para retornar. Tem esse programa que eu estou já há algum tempo com ele, estou fazendo o programa número dois. Um programa que na realidade não deixa de ser uma certa continuidade do meu trabalho. Eu como atriz estou sempre trazendo a palavra do autor para a personagem, e levando ao público um dado, uma problemática, que o autor resolve colocar através desse personagem.
Nessa última novela "Senhora do Destino", eu era uma mulher de classe média alta que cuidava dos netos. E a neta dela, por exemplo, que era uma menina muito estudiosa, muito querida, de repente chegou perto da família e dessa avó e disse: "Eu estou gostando de uma moça, e eu vou morar com ela" . Isso é uma problemática, não é? Como é que essa personagem reagiu? Ela não tinha a menor capacidade de entender aquilo, ela foi criada numa outra época. O que ela fez? Fingiu que não estava acontecendo nada (risos), ela tentava evitar, mas chegou o dia em que ela disse à neta: "Vamos sentar e conversar, você nunca falou comigo, eu quero saber". Aí ficou muito emocionada e disse: "Olha eu não falei nada até agora porque eu não sei o que falar, eu não sei o que dizer. Eu estou acostumada a ter sempre uma solução com as minhas experiências".
As experiências na realidade só valem para a gente durante um tempo. Se a gente ficar naquela mesma experiência a gente não cresce e ela apodrece. As nossas experiências não vão servir nunca para os outros, e ela era acostumada a ditar regras, eu fui também criada assim, então ela disse: "Eu não sei o que te dizer, eu não sei o que falar, eu não entendo" . Aí a neta falou: "Mas é muito simples, é só deixar como está". Enfim isso é uma problemática que tocou e que a avó disse que não entendia, mas que a neta podia contar com ela pra qualquer coisa, para o que der e vier. Elas ficaram muito animadas, as meninas se casaram e adotaram um menino, e a avó foi a primeira a fazer roupinhas para o bebê, mas entender ela não entendeu (risos).
Mas isso é uma problemática, e esse programa fala exatamente como a nossa cultura, como as pessoas estão lidando com isso. Com as mudanças tão rápidas desse início de século. Os encontros e desencontros, os casamentos. Pessoas que são casadas há 60 anos e outras que tiveram seis, sete, oito casamentos, e que têm filhos de todos os casamentos. Os maridos também trazem quatro, cinco casamentos e têm filhos. Como é que é isso? Como é essa nova família? Eu quero trazer as pessoas que têm essa experiência e a partir daí, entrevistá-las e ouvir também profissionais, como psicólogos, não é?
A mulher de hoje que engravida cada vez mais tarde porque quer ter uma carreira melhor, mas às vezes acontece, elas têm filhos em determinada ocasião, e aí como ficam no emprego? Como é que culturalmente as pessoas estão absorvendo essas mudanças? Então eu acho que a meu ver, mesmo sem a palavra do autor, eu continuo fazendo a mesma coisa. Me comunicando e conversando com as pessoas, e através da problemática que elas me trazem nós vamos conversar. As pessoas que estiverem em casa, numa situação igual, vão poder ouvir e saber como resultou aquilo, e o que um profissional da área pode dizer a respeito. Vai ser um programa de muita externa.
Tcello - Em qual emissora você pretende que esse programa vá ao ar?
Yoná - Em relação ao espaço eu estou tendo um pouco de dificuldade, porque estando contratada (Rede Globo) eu só posso fazer esse programa nas televisões afiliadas à Globo. Esse realmente tem sido o meu foco há algum tempo, e isso implica numa série de coisas como ir na Lei Ruanet. Esse programa já foi aprovado no Ministério da Cultura, que agora passou para a Ancine. Eles são maravilhosos, me recebem muito bem.
Estou também acertando a papelada, lidando com as pessoas que fazem o programa que é um grupo de jovens recém-formados na escola de cinema, esse tem sido o meu foco. Estou falando com você agora, e é a primeira vez que eu falo sobre esse assunto publicamente, porque eu não gosto muito de falar de projeto enquanto ele não está um pouco mais andado, pois parece um pouco de viagem, um blá, blá, blá. Mas isso é uma coisa séria que se Deus quiser eu vou colocar no ar, com muito humor fugindo do que já existe. Se bem que ninguém pode fazer nada novo, a gente apenas revive e persiste, mas fugindo um pouco do padrão de estúdio, quero gravar o mínimo no estúdio possível. Porém não dá para tirar o estúdio totalmente.
Tcello - Qual vai ser o nome do programa?
Yoná - Vai chamar "Eu e você hoje"
Tcello - E o teatro?
Yoná - Eu gosto muito de teatro, mas eu aprendi de uns tempos pra cá que enquanto eu não resolver o problema da minha enxaqueca eu não quero pisar no palco, porque é muito duro ter uma crise forte de enxaqueca em cena.
Tcello - Mas você costuma ter essas crises?
Yoná - É. Eu tenho desde a adolescência, e de uns tempos pra cá ela piorou muito. Agora tenho me cuidado muito com acupuntura, medicina chinesa e homeopatia. Enfim, vou ver um médico que trata com ervas e melhora. Mas a dor é muito violenta e houve época em que eu tive que suspender espetáculo, e hoje em dia eu não posso mais suspender porque está muito caro, não é isso? Então ficou um pouco fora o meu convívio e contato com o teatro, mas eu firmemente fico pensando, puxa quem sabe numa sala pequena, duas vezes por semana, uma coisa que não precise gastar muito, que se der um problema qualquer eu não vou criar prejuízos.
Porque é terrível estar em cena com aquela luz toda em cima e com aquela dor de cabeça que é indescritível. Mas, enfim, a gente está falando de futuro e é uma coisa que não me sai da cabeça e está lá no fundo do meu coração, eu ainda gosto muito de teatro, principalmente quando é um sucesso (risos). Porque eu já tive muitos fracassos no teatro, já gastei muito dinheiro do meu bolso, e também já tive muitos sucessos. E é bom que assim tenha sido, porque através dos fracassos a gente aprende muito mais do que através dos sucessos.
Tcello - Uma das suas peças foi "Há Vagas para Moças de Fino Trato" em 1975 com direção do Amir Haddad. Como foi ter sido dirigida por ele?
Yoná - Foi a primeira vez que eu tive contato com o Amir, e foi um grande adianto na minha vida artística. Ele me deu uma outra visão de teatro, de realizador.
Tcello - Você atuou também nas peças "Vestido de Noiva" de Nelson Rodrigues no Teatro Municipal. O que foi que aconteceu de inesperado naquele espetáculo?
Yoná - "Vestido de Noiva" foi no Teatro Municipal que dedicava duas semanas para clássicos brasileiros. O diretor foi o saudoso Sérgio Cardoso e o espetáculo foi por volta de 1970. O Sérgio colocou umas rampas em cena que eram um inferno para andar (risos). Era uma apresentação beneficente e o Teatro Municipal estava todo de gala. O mínimo que me aconteceu foi levar um tombo (risos), escorreguei e pow (risos), mas levantei no ato e continuei firme.
Tcello - Você também atuou nas peças "O Amor é uma Rosa", "Bombom" e "Passeio para o Arco-Íris". Caso você decida fazer um espetáculo depois de curar a sua enxaqueca crônica, qual gênero seria?
Yoná - Eu gosto muito de comédia, gosto muito de uma mão na cintura, de um pé no chão. Eu gosto muito de um barraco. Todo mundo se diverte, eu acho muito mais gostoso. Eu já não curto tanto uma coisa trágica, grave. Não sei, mas eu acho que é pela minha maneira de ver a vida hoje, eu prefiro o lado do humor. O que não impede que amanhã eu resolva fazer um texto trágico.
Tcello - Mas você faz bem as duas coisas. A sua personagem Flaviana em "Senhora do Destino" tinha esse tom cômico que era muito legal. E eu vi uma reapresentação de um "Caso Especial" exibido na Globo nos anos 70, em que você atuou muito bem num personagem muito complexo e dramático. Era dirigido pelo Domingos de Oliveira e você contracenava com o Zienbinski, até comentei com você, lembra?
Yoná - Lembro, claro. Eu acho que os extremos é que é bom. O meio é que é meio chato, água com açúcar, não é?
Tcello - Você entrou para a TV Globo em 1965, no ano em que ela foi fundada. Como foi aquela fase?
Yoná - Eu fiz uns trabalhos lá com o Sérgio Britto em 1965. Depois fui despedida, e aí voltei no ano seguinte a convite do Walter Clark, que também chamou o Boni. Nessa época a gente também estava no teatro com a peça "Terror e Miséria do Terceiro Reich" com o Paulo Afonso Grisolli. Era uma pontinha, mas ficou marcado.
Tcello - Sua estréia em televisão foi na TV Tupi. Como foi?
Yoná - É. Eu comecei na TV Tupi entregando bandeja, mas sem falas. A gente tinha um contrato na rádio e TV Tupi. Íamos da Avenida Venezuela onde ficava a rádio correndo para os estúdios da TV na Urca. Fazíamos a rádio e depois a TV, era um contrato para os dois, e se quisesse tinha que ser assim (risos). Foi muito bom, foi uma escola maravilhosa, porque a gente tinha que ficar assistindo o ensaio inteiro, e era ao vivo, outra grande escola. Assistia tudo até chegar a hora de entrar e dizer: "Aqui está o café", "Bateram na porta, com licença, eu vou atender". Eram coisas assim, até começarem realmente a dar mais falas.
Tcello - Os atores começavam realmente do início. Não tinha essa coisa de cair de pára-quedas, não é?
Yoná - Que eu me recorde não. Havia uma certa hierarquia, que bem ou mal eu acho legal. As pessoas iam aprendendo aos poucos. Olhavam com respeito e essa foi a minha grande escola. Para começar era um salário mínimo para fazer a rádio e a TV e já estava muito bom (risos), fora que eu ainda ia para o colégio de manhã. Muito tempo depois, quando eu fui fazer o filme "Deus e o Diabo na Terra do Sol" do Glauber (Rocha) na Bahia, é que eu freqüentei a Escola de Teatro da Bahia, uma grande escola de teatro.
O Luiz Carlos Maciel era o diretor na época da escola. Aí eu comecei a assistir como ouvinte as aulas de interpretação, era muito estranho pra mim, eu achava engraçadíssimo, pois eu tinha aprendido ao contrário, como entra, senta e fala. E lá eles faziam um estudo do personagem de maneira que eu nunca havia imaginado. Então eu vi exercícios de interpretação assim: tinham duas moças que o Luiz Carlos pediu para interpretarem duas galinhas comendo pipoca, achei tão engraçado (risos). Tinha que ter postura e colocação, mas elas fizeram muito bem.
Tcello - Qual o estilo de novela você prefere? O realismo fantástico das tramas do Dias Gomes e Agnaldo Silva, que você já atuou diversas vezes, ou o naturalismo urbano?
Yoná - Eu adoro o realismo fantástico. A mulher que explodia, o Lobisomem, o homem que voava, era muito bom. Mas o Agnaldo agora em "Senhora do Destino" mais uma vez surpreendeu com uma ótima novela que fugiu do realismo fantástico que ele sempre fez. E o núcleo que eu peguei era muito bom, mas realismo fantástico eu adoro.
Tcello - Você praticamente não tem férias, já que quase todo ano está em alguma novela. E o descanso?
Yoná - Eu paro um pouco, uns meses, mas eu tenho feito novelas regularmente sim. Eu gosto muito, adoro fazer novelas, o cheiro do estúdio eu acho bom e gostoso.
Tcello - Qual a sua opinião sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo, e a adoção de crianças por casais gays? A da sua personagem a gente já sabe, e a sua?
Yoná - A minha experiência em vivenciar isso com os gays é a melhor possível. Eu tenho um amigo gay que adotou um menino pequenininho, e hoje esse garoto se tornou um homem forte, maravilhoso, de cabeça boa, atleta e que vai se casar com um moça. Eu acho fantástico, eu penso que é uma escolha do coração. Não que os casais heteros não tenham esse amor, mas parece uma coisa já esperada e pensada. No caso dos gays eu acho que é uma escolha do fundo do coração. Eu tenho mais contato com os meninos, tenho muitos amigos gays.
Eu acho que é uma relação com horas boas e más, como toda relação. E sempre me vem essa nota, dessa coisa trágica que nós vivemos alguns anos atrás, da aids. Como eles eram unidos e amigos, e ficavam até o último instante juntos, era impressionante a fidelidade deles. Eu estou falando daquele momento de pico, muito dramático quando eu perdi vários amigos. Eu vi sempre uma união muito grande entre eles. A minha experiência me leva a crer que são pessoas mais sensíveis, talvez por terem sido tão estigmatizados pelo preconceito que hoje está bem menor, mas a solidariedade entre eles sempre me chamou atenção. Enfim, eu gosto muito e tenho muitos amigos gays.
Tcello - Qual a importância das novelas na sociedade brasileira?
Yoná - É um caso sério, eu fico boba de ver como fica alta a audiência e como as pessoas falam a respeito. Acho uma responsabilidade muito grande das pessoas que escrevem. É uma arte que tem que ter um bom humor e uma boa idéia, principalmente nos horários mais difíceis, seis, sete, oito da noite. Tem que haver também uns recados, pois é impressionante como a mensagem entra de forma subliminar na cabeça das pessoas. É uma grande responsabilidade.
Tcello - Os 40 anos da Rede Globo estão intimamente ligados à sua carreira. Você acha que as outras emissoras podem atingir o padrão Globo? Como você define o padrão Globo de qualidade?
Yoná - Esse padrão Globo que está hoje, que estava ontem e há 10 anos foi realmente uma escolha do doutor Roberto (Marinho). Ele quando resolveu partir para a televisão já era um homem feito, cheio de glórias, rico que não precisava de mais nada. Aquela coisa da inquietação dele, de ter que fazer alguma coisa, não é? Quando ele partiu para fazer televisão chamou pessoas e deu carta branca. Assim, cada um foi fazer o que sabia, e ele estava lá bancando. Eu acho que falta essa continuidade nas outras emissoras.
Quando a Globo chegou, que chegou o Walter Clark e o Boni em 1965, 1966, a TV Tupi era uma coisa, um sucesso no Brasil inteiro. A Globo estourou logo aqui no Rio e em São Paulo um pouco, mas no Brasil levou uns dois anos. Infelizmente com a morte do Chateubriant (fundador da TV Tupi) a Tupi foi se dividindo. E a Tupi era diferente, era uma coisa um pouco mais exibida, uma pessoa cuidava do Ceará outra do Rio, era uma cabeça dando carta branca mais ou menos. Já o doutor Roberto chegou apostando mesmo e dando uma continuidade. Também investiu na teledramaturgia e num telejornalismo maravilhosos. Foi isso, o doutor Roberto apostou e deu carta branca a quem sabia fazer.
Tcello - O que você acha dos novos diretores que vêm das faculdades de cinema e vão para as novelas?
Yoná - Agora eu estou trabalhando com uns. Eles são uns doces os meninos, evidentemente eles têm uma outra posição, já que vêm das escolas de cinema. É uma visão diferente dos diretores antigos. Quando o Chateubriant decidiu trazer a televisão para cá, não havia nem aparelhos de TV para as pessoas assistirem, imagina pessoas pra trabalhar? Quem iria mexer naquilo? Quem veio então foi o pessoal do rádio e foram aprendendo aos poucos e evidentemente estudando. Mas sempre com uma maneira outra de fazer, acho que era mais um teatro televisionado que era muito bom e funcionava muito bem.
Não estou falando aqui como dona da verdade não, isso é apenas um olhar meu, de experiência. Posso até estar dizendo um monte de bobagem, mas é a minha visão, o que eu sinto. O pessoal que vem do cinema é também muito talentoso, não há dúvida, mas eu confesso que demora um pouco demais, talvez porque eles fiquem buscando a excelência e com menor prática. Eles podem sair das escolas, sendo belíssimos alunos, mas uma coisa que eles não vão ter é a experiência, que é o tempo que vai dar.
Então até eles alcançarem essa experiência eles vão apanhar, e a gente que é ator apanha junto (risos). Muda câmera, sobe câmera, bota aqui, close ali, realmente eles estão buscando o melhor e são pessoas muito capacitadas para fazer, só falta o tempo e a vivência que os diretores mais antigos têm.
Um Daniel Filho que também é um expert em cinema, os saudosos Walter Avancini e Blotta. O Carlos Manga que são diretores com grande capacidade e visão, que sabiam tudo de tudo e tinham uma vasta experiência que foram pegando através do tempo. O Daniel começou comigo lá na Tupi, lógico que eles pesquisaram, mas vieram daquela prática maravilhosa, do aprender devagar; assim surgiram os grandes diretores.
Tcello - Você dá dicas para os diretores e atores novos?
Yoná - Não. Se um ator novo pergunta alguma coisa eu digo que se eu fosse ele falaria com o diretor. Se ele insistir aí eu digo que se fosse comigo eu faria de determinada maneira, mas isso sou eu. Porque eu acho que cada um tem um jeito e uma visão.
Tcello - E com os diretores?
Yoná - Também não, mas se fizerem alguma coisa que me incomode ou que eu não consiga fazer eu pergunto se não dá para tentar de outra maneira.
Tcello - Você já pensou em dirigir?
Yoná - É uma coisa que não me chama atenção. Eu de certa maneira vou fazer a direção quando começar com o trabalho de arte-terapia através da dramatização. Aí quem sabe? Minha vida corre tão solta (risos).
Tcello - Qual o personagem que você mais gostou de fazer?
Yoná - Não sei...Eu me apaixono muito pelos personagens que eu faço. Eu adorei fazer a Janete Legrand, do Sheik de Agadir, por exemplo. Adorei também a Tonha, de Tieta, a Matilde de Roque Santeiro, como a Flaviana de Senhora do Destino que também foi muito gostoso. Não tem a que eu mais gosto, sei lá...A Mercedes de Os Imigrantes que eu fiz na TV Bandeirantes também foi maravilhosa .
Tcello - E dificuldade? Você lembra de alguma personagem que tenha sentido muita dificuldade?
Yoná - Eu sinto dificuldade em todos. Até eu sentir que a personagem está caminhando é sempre muito difícil. As primeiras cenas, os primeiros capítulos eu acho sempre ruins, eu acho péssimo, horrível, exagerado às vezes (risos). Sei lá, dificuldade eu tenho sempre.
Tcello - Tem alguma personagem em especial que você queira fazer?
Yoná - Não, a que chegar será bem-vinda (risos).
Tcello - Como era a rotina do teleteatro e das novelas ao vivo?
Yoná - Era maravilhoso. A gente ensaiava e ia fazer.
Tcello - Quantos ensaios em média? Já que quando começava tinha que ser à vera, não tinha como voltar, já era ao vivo...
Yoná - Depende... No grande teatro a gente ensaiava o domingo inteiro para ir ao ar à noite. Era muito excitante, maravilhoso e havia uma continuidade. Realmente o problema grande era para a técnica, os que estão aí até hoje e que fizeram ao vivo são excepcionais e têm uma experiência maravilhosa.
Tcello - E vocês não ficavam curiosos, já que não podiam assistir? Afinal não havia vídeo-tape, não é?
Yoná - A gente ia para a casa do pai do Daniel para poder ouvir.O pai do Daniel Filho gravava as nossas vozes da TV, aí íamos para a casa dele para ouvir (risos). Era muito engraçado.
Tcello - Em 1979 você aceitou um convite do Avancini para voltar a fazer novela na Tupi, que passava por uma crise, tanto que no ano seguinte a emissora fechou. Como foi aquela fase?
Yoná - Eu acreditava no Avancini em qualquer lugar, além disso eu havia me aborrecido na Globo com o Borjalo. A gente se gostava muito e por isso discutia muito, aí eu fui. Nesse meio tempo a Tupi saiu do ar, aí eu fui fazer Os Imigrantes, na Bandeirantes que foi maravilhoso. Em seguida eu voltei para a Globo.
Tcello - Essa novela foi longa não é? Durou quase dois anos.
Yoná - É eu fazia a Mercedes e depois voltei como Mercedita, a neta.
Tcello - Qual a sua rotina de exercícios para manter a excelente forma?
Yoná - É tudo com aconselhamento médico. Eu não como carne vermelha nem aves. Como frutas, verduras, legumes e peixes. Faço exercícios, muito alongamento, musculação e aeróbica. Durmo bem à noite, não sou de noitadas, a noite para mim é pra dormir (risos).
Tcello - O que a fascina na cultura indiana?
Yoná - A paciência, a sabedoria, as grandes escrituras, os ensinamentos, o pensamento dos grandes santos. É uma coisa fascinante a gente buscar o autoconhecimento, não é?
Tcello - Fale um pouco da arte-terapia
Yoná - É um trabalho que se faz através da arte, mas não da arte como escola. É a arte liberando o seu canal criativo e deixando que os símbolos do inconsciente venham à tona para que a gente possa daí resolver algum problema. Assim tornando a vida mais criativa e colorida. Eu pretendo contribuir com o teatro e a pintura na arte-terapia.
Tcello - Você foi capa da Playboy, num ensaio fotográfico belíssimo. Você aceitaria outra proposta para posar nua?
Yoná - É um caso a estudar, não descarto a idéia não. Depende do momento, eu estava num momento perfeito quando fiz aquele ensaio, se vier num bom momento e evidentemente o custo-beneficio valer, por que não? (risos). Realmente não descarto a idéia, acho legal.
Tcello - Muito se diz da violência no Rio. Você se sente segura aqui? Tem algum cuidado especial?
Yoná - Eu evito dirigir à noite sozinha quando eu vou pra longe, prefiro pegar um táxi. Evito lugares mais ermos, mas levo a minha vida normal.
Tcello - E pra voltar do Projac tarde da noite?
Yoná - Aí eu não tenho saída. Se bem que tenho sim já que, passando das nove da noite que é a hora em que acabam os estúdios a Globo se oferece para trazer em casa. Até às nove eu venho dirigindo numa boa. Mas quando tem externa que avança pela noite a Globo manda o carro nos trazer.
Mas eu procuro não entrar nessa sintonia, não é que eu seja uma alienada, mas eu procuro não fazer disso uma neurose, uma loucura. Eu procuro não ficar nessa faixa de sintonia, sabe rádio? Eu mudo de sintonia. Eu rezo muito, mas se a gente ficar naquela sintonia acaba atraindo e vendo coisas que não acontecem. Infelizmente essa situação de violência é muito triste, sei lá...Não tem explicação não é? O Rio de Janeiro é tão bonito. Vamos rezar para ter uma melhoria e em longo prazo terminar direto com isso, para que a gente possa ficar na praia à noite, tomando uma cervejinha (risos).
Rosto marcante da TV
Cama de Gato - Globo - 2009
Negócio da China - Globo - 2008
Paraíso Tropical - Globo - 2007
Senhora do Destino - Globo - 2004/2005
Um Só Coração - Globo - 2004
Agora é que São Elas - Globo - 2003
A Padroeira - Globo - 2001
As Filhas da Mãe - Globo - 2001
Vila Madalena - Globo - 1999
Era Uma Vez - Globo - 1998
Anjo de Mim - Globo - 1996
Engraçadinha, Seus Amores, Seus Pecados - Globo - 1996
A Próxima Vítima - Globo - 1995
Despedida de Solteiro - Globo - 1992
Meu Bem, Meu Mal - Globo - 1990
Tieta - Globo - 1989
Vida Nova - Globo - 1988
O Outro - Globo - 1987
Grande Sertão: Veredas - Globo - 1985
Roque Santeiro - Globo - 1985
Amor com Amor se Paga - Globo - 1984
Maçã do Amor - Bandeirantes - 1983
Os Imigrantes, Terceira Geração - Bandeirantes - 1982
Os Imigrantes - Bandeirantes - 1981
Cavalo Amarelo - Bandeirantes - 1980
Gaivotas - Tupi - 1979
Sinal de Alerta - Globo - 1978
Espelho Mágico, Coquetel de Amor - Globo - 1977
Saramandaia - Globo - 1976
O Grito - Globo - 1975
Cuca Legal - Globo - 1975
Corrida do Ouro - Globo - 1974
O Semideus - Globo - 1973
Uma Rosa com Amor - Globo - 1972
Simplesmente Maria - Tupi - 1970
A Ponte dos Suspiros - Globo - 1969
A Gata de Vison - Globo - 1968
A Grande Mentira - Globo - 1968
O Homem Proibido, Demian o Justiceiro - Globo - 1967
A Sombra de Rebeca - Globo - 1967
O Sheik de Agadir - Globo - 1966
Eu Compro Essa Mulher - Globo - 1966
Teleteatros, Mini-novelas e Rádio-novelas - Rádio e TV Tupi - 1953 a 1965
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