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Sílvio Guindane
Ator e Diretor
Abril / 2005


Premiado ator do cinema nacional protagoniza sitcom na Rede TV

Silvio Guindane está no ar em Mano a Mano, comédia de situação adaptada ao estilo brasileiro



 


Tcello Ribeiro



Na novela "O Clone" de Glória Perez ele era o impagável Basílio, que ao lado da dona Jura interpretada por Solange Couto fazia o telespectador morrer de rir com suas fofocas e intrigas da vida alheia. Atualmente o ator Silvio Guindane dá seguimento ao seu lado cômico, encabeçando o elenco da sitcom "Mano a Mano", que a Rede TV apresenta aos domingos às 22h15m.






O enredo gira em torno de dois irmãos, um rico, Marcos Felipe III (interpretado pelo ator Rafael Maia) e o outro pobre, Robinho (interpretado por Guindane), que só se conhecem quando o rico perde tudo e vai morar numa favela, mais precisamente na casa do irmão pobre. Viciado em trabalho, Guindane também participou dos primeiros capítulos de "América", e ainda este ano vai estar nas telas de cinema em quatro novos filmes.







"A linguagem da sitcom americana é completamente diferente da nossa linguagem brasileira, as câmeras nunca entram, é como um teatro filmado, e há a claque que é uma platéia que ri. A gente ensaia três dias e faz um ensaio geral como se fosse um teatro, e no dia de gravar nós gravamos com platéia. É quase um teatro ao vivo, o tempo de comédia se torna diferente porque a gente tem que esperar o público rir como se fosse um teatro", diz o ator do seriado que terá duas temporadas de 12 episódios cada.








"Mano a Mano" é um projeto da produtora americana Picante Pictures, que chegou aqui no ano passado com a intenção de produzir sitcoms - comédia de situações - que refletissem a realidade brasileira. Os três primeiros episódios foram dirigidos pelos americanos Lenny Garner e Ken Whittingham que vieram ao Brasil e treinaram diretores e roteiristas brasileiros, que agora assumiram o programa.








"É uma sitcom no formato americano e com jeitinho brasileiro, feito na favela, com as nossas culturas. Mas atenção, não existe nenhum fato social que seja indagado no programa de uma forma a levantar bandeira ou algo assim. É uma comédia de situação, e a forma que isso se torna social, é que ao invés de se passar numa família de classe média da zona sul, se passa numa favela. Não é tocado no assunto de pobres e ricos, pelo contrário, se faz piada com isso. Do mesmo jeito que podia ser numa família de classe média, eles puseram negros, brasileiros e pobres protagonizando. A visão mais bacana do Mano a Mano é que levantar uma questão social e de racismo, é muito melhor quando não se coloca isso como uma diferença e sim com naturalidade. Assim se inclui ao invés de excluir", comenta Guindane, que acredita que a Rede TV ainda vai investir em mais projetos de teledramaturgia, ressaltando que a emissora é nova e tem vigor para lançar outros programas nessa área. 








Ele estreiou no cinema aos 11 anos, no filme "Como Nascem os Anjos" de Murilo Salles e de cara foi premiado com o Prêmio Kikito de melhor ator, desde então não parou mais de trabalhar. Presença constante nas telas do cinema brasileiro, entre os filmes em que atuou estão "Orfeu" de Cacá Diegues, "Seja o que Deus Quiser" de Murilo Salles, "For All - O Trampolim da Vida" de Luiz Carlos Lacerda, "De Passagem" de Ricardo Elias, "A Cartomante" de Wagner de Assis e Pablo Uranga, "Rota de Colisão" de Roberval Duarte.







Aos 21 anos, o ator que é do signo de virgem se considera perfeccionista e autocrítico, o que o torna ainda mais dedicado ao trabalho e à pesquisa na construção de personagens. Tal dedicação o levou a um laboratório pouco comum quando tinha dez anos de idade: ele morou dois meses na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, para interpretar um menino envolvido no tráfico de drogas.








Ele lembra a experiência:"30% do que eu sou como homem e como cidadão eu aprendi naquele laboratório aos dez anos. Aquela experiência serviu para a minha vida inteira, porque a favela sempre me deu coisas muito boas, ela me deu trabalhos como ‘Orfeu', ‘Como Nascem os Anjos' e ‘Aquarela do Brasil'. Eu trouxe realmente aquele laboratório para a minha vida".







Este ano quatro novos filmes




Guindane admite que o cinema é a sua grande paixão, mas lembra a importância do teatro e da TV. Segundo ele a TV é a arte da produção, o teatro é a arte do ator e o cinema é a arte do diretor, diz o ator que é formado em letras. "O teatro é onde a gente cria, o cinema é o ‘eu' do naturalismo e a TV é o cotidiano. São três artes diferentes, só que tem que haver a vertigem, o ímpeto que a gente só ganha no palco. Depois do terceiro sinal ninguém corta, é lá no palco, é o esplêndido".







A formação em literatura só o ajudou na arte de representar, segundo ele a literatura abriu novas diretrizes, lembrando que nunca faria engenharia ou direito, e sim algo relacionado às artes cênicas."Eu li Nietzsche com dez anos de idade, acho que foi por isso que eu fiquei meio pancada, depois fui reler aos 19 anos quando já estava na faculdade. O meu vilão virou meu herói. O meu vilão dos dez virou meu herói aos 19".








Este ano ele vai estar em quatro novas produções do cinema nacional: "Quanto Vale ou é por Quilo?" de Sérgio Bianchi e "O Passageiro" de Flávio Tambelini devem ser lançados ainda este ano, e "Outro Verão" de Miguel Tkidovifk e "Pode Crer" de Artur Fontes, que ele começa a gravar no segundo semestre. Como cineasta, Silvio Guindane já rodou três curtas: "Anos de Bala", "Felizes para Sempre" que participou da Mostra Internacional de Lisboa, e "O Inquilino" que recebeu ao todo seis prêmios no Brasil e no exterior.







Entre seus projetos está a realização do primeiro longa como cineasta, "O Preço da Liberdade", que onde além da direção ele assina também o roteiro. O filme que está em fase de captação de recursos tem um tema bem factual.







"É a história de um recém-saído da prisão que faz tudo para não voltar ao crime, só que ele vai morar com o padrinho que acaba o envolvendo num. Se passa na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, mais precisamente em Caxias, Nova Iguaçu, São João de Meriti e conta a trajetória desses matadores de aluguel", diz o ator ressaltando que a chacina ocorrida recentemente naquela região não o inspirou na criação do roteiro. "Foi coincidência, eu nasci na Baixada e meu pai é empresário lá até hoje. Eu não quero tocar no assunto das favelas, pois muita gente já falou disso. Eu prefiro abordar essa área periférica, onde não é o tráfico quem manda, é outra história".









Acidente o fez rever a vida






Filho do empresário Sebastião Guindane e da pianista e professora de canto lírico Vera Lúcia, o ator naturalmente herdou o gosto pela música. O avô já tocava trompete, e ele toca sax e gaita, além de arranhar o piano.







 "Eu aprendi piano cedo com a minha mãe. O sax e a gaita são o meu braço direito, quase sempre estou com a gaita no bolso. A paixão pelo sax veio do meu avô que tocava trompete. Eu toco sax melhor que gaita, mas piano eu também toco", revela o ator lembrando que quando se tem uma mãe que é fera ao piano é melhor dizer que ele "apenas arranha".







Em março deste ano, Silvio Guindane sofreu um acidente de carro quando voltava de uma gravação na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O ator teve traumatismo craniano e de tórax, ficando quatro dias em coma induzido. Escapou sem seqüelas e reconhece que nasceu de novo.






"Eu renasci, foi muito bonito. As pessoas precisam passar por certas coisas na vida, até para agradecer a volta e tudo o que têm. Eu descobri que tenho muitos amigos e muita gente que gosta de mim. Isso me deixou muito feliz". 






Renascido e cheio de energia, Guindane vai dirigir a peça "Gimba" de Gianfrancesco Guarnieri. O ator ainda tem tempo de se dedicar aos seus alunos de interpretação, afirmando que dar aulas é uma das coisas que mais ama na vida. "Os meus alunos são meus filhos e pais, é um aprendizado constante de ambos os lados" diz ele. Entre as peças em que atuou estão "Tango, Bolero e Chá, Chá, Chá", "Barrela", "Inimigos de Classe" e "Capitães da Areia".






O fato de já ter sido premiado por sua atuação em "Como Nascem os Anjos" e um dos seus curtas, "O Inquilino", ter levado seis prêmios só aumenta a responsabilidade em relação aos seus próximos trabalhos.






"O Milton Gonçalves disse numa entrevista, que o problema é que quando a gente ganha um prêmio, ninguém mais nos chama para trabalhar, pois acham que ficamos caros. Somos muito cobrados, mas tudo bem vamos fazer jus a isso e trabalhar", diz o ator afirmando que está sempre aberto a projetos de diretores e roteiristas iniciantes.




"O que compra o artista é a arte, não é o status nem o dinheiro. O verdadeiro artista é comprado pela arte", arremata Guindane. 



 









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